O Futuro está na Mobilidade Humana

Mobilidade Humana é mais que Mobilidade Urbana.

Mobilidade urbana é fazer uma boa gestão da operação, das linhas, horários, frota, bilhetagem eletrônica etc… 

Mobilidade humana é andar a segunda milha e colocar os clientes e usuários no centro dos serviços de transportes.

Mercadologicamente falando, clientes são aqueles que usam e pagam, sendo que os usuários são aqueles que usam e não pagam.

Somos usuários do Google, WhatsApp, Waze, mas clientes da Netflix, VIVO, SKY etc.

No transporte coletivo, também temos os dois: os que usam e pagam – clientes, e os que usam e não pagam – usuários.

Mais importante que diferenciação mercadológica é consideremos que ambos são seres humanos e como tal tem sonhos e anseios diferentes. O cliente quer modernidade, rapidez, tecnologia etc. Ao passo que o usuário quer cidadania, respeito, acessibilidade etc.

Mobilidade Humana é colocar as pessoas, que sejam elas clientes ou usuários,  no centro dos serviços de transportes.

consumidores#conectados

Philip Kotler diz que a transformação digital transferiu poder para os consumidores conectados.

Me lembro da época em que para assistir a um filme tínhamos que ir até a locadora, alugar o filme, voltar para casa para assistir e depois correr para devolver o DVD para não pagar mais de uma diária.

Com a transformação digital, a proliferação dos computadores pessoais e tecnologias disruptivas, a Netflix, por exemplo, deixou as lojas tradicionais de aluguel de vídeos praticamente no passado.

Alguns acham que isso também poderia acontecer com o Transporte Coletivo, com o surgimento dos chamados “aplicativos”, como o UBER, 99, Cabify etc…

Vamos analisar (benchmark) um setor estruturante, como o de “meios de pagamentos”, para ver se podemos aprender algumas lições e aplicá-las à mobilidade urbana.

Dia 8 de fevereiro de 1949, Frank McNamara fez um jantar de negócios no restaurante nova-iorquino Major´s Cabin Grill. Quando a conta chegou, ele percebeu que havia esquecido a carteira.

Então resolveu que deveria ser criada uma alternativa ao dinheiro vivo. Com seu advogado Ralph Schneider e ao amigo Alfred Bloomingdale, MacNamara posteriormente desenvolveu o Diners Club Card.

O Dinners foi o primeiro cartão de crédito usado em larga escala. No ano 2000 já havia 1,43 bilhão de cartões de crédito somente nos USA e muitos diziam que em pouco tempo não haveria mais dinheiro vivo circulante.

Mas o dinheiro continua!

Pode ser que muitos deixaram de usar o “dinheiro vivo” e passaram a usar o “cartão”, mas o fato mais relevante é que com as inovações e novas tecnologias, ficou muito mais fácil tanto “pagar” quanto “receber”.

 

Novas Tecnologias e a Mobilidade Urbana

É inevitável que a inovação e as novas tecnologias cheguem ao transporte e a mobilidade urbana, assim como foi para os outros setores.

Mas assim como o dinheiro e a moeda corrente continuam sendo muito importantes para o setor de meios de pagamento, a mobilidade por ônibus e trilhos continuarão sendo os modos estruturantes dos transportes das cidades.

A grande mudança que está ocorrendo na mobilidade urbana é que agora o centro dos serviços de transportes está nas pessoas.

Hoje, o transporte coletivo não conecta apenas lugares, mas se conecta diretamente com os seus clientes por meio de dispositivos móveis e em tempo real.

Historicamente sempre dissemos aos nossos clientes e usuários:

Quer se mover pela cidade de transporte coletivo?

  • Ali é o ponto…
  • Lá é a estação…
  • Vai passar neste horário…
  • Compre ali naquela bilheteria…
  • Pague com este cartão…

Em um mundo cada vez mais digital, que empodera os consumidores conectados, determinar onde, quando e como as pessoas devem agir é algo que precisa ser repensado.

A solução que cidades como Helsinki (www.hsl.fi/en) e Stockholm (https://sl.se/en/) encontraram foi a construção de plataformas de mobilidade integradas, baseadas no conceito de Mobility as a Service – MaaS

Pensar na Mobilidade como Serviço (MaaS) é em sua essência o conceito de “plataforma de mobilidade da cidade”, no qual o passageiro encontra a opção de mobilidade mais adequada, com um planejador de viagem multimodal integrado que fornece informações em tempo real, faz reserva, o pagamento, a emissão dos bilhetes e serviços personalizados, dando assim ao passageiro a possibilidade de comparar opções multi-intermodais, e escolher o que é mais adequado.  

 

Viagem ou Jornada?

Se a Amazon, que é uma empresa que vende e entrega produtos, é obcecada pela jornada do cliente, quanto mais nós que cuidamos da mobilidade das pessoas, não o deveríamos ser.

Pensar na “jornada” é pensar nas pessoas bem antes delas começarem a “viagem”, quando elas ainda estão em casa ou no trabalho, antes mesmo delas abrirem o app ou  a plataforma de mobilidade.

Viagem está para a mobilidade urbana assim como a Jornada está para a mobilidade humana.

Só assim, colocando as pessoas no centro dos serviços de transportes, a Mobilidade Urbana será cada vez mais Humana.

 

Roberto Sganzerla

Especialista em Marketing de Transportes e Mobilidade Urbana

 Mestrado em Liderança pela Andrews University – Berrien Springs, MI – USA

MBA em Gestão de Negócios e Liderança

Pós-Graduação em Marketing

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